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Outras Economias. Novos Imaginários.

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II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias em Faro e conversa sobre Mutualismos em Lisboa.

forumA economia e a finança que nos são impostas no dia-a-dia vão deixando – não será exagero generalizar – um sentido ora amargo, ora exasperante. Um sentimento que conduz a uma falência que antes de ser económica é uma falência social. Uma falência que se encontra nas relações humanas e no modo destrutivo dessa mesma relação economicista com a natureza que nos rodeia.

Estas poderão ser algumas das razões que motivem participar no II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias, na Universidade de Faro entre 19 e 21 de Fevereiro próximo, depois de em Janeiro de 2015 um primeiro encontro ter juntado no Porto mais de 350 pessoas. Por sua vez no dia 20 em Lisboa a cantina cooperativa do Regueirão dos Anjos convida a uma discussão aberta sobre Mutualismos.

FESEm Faro, o grupo de organizações por detrás do evento é alicerçado não em imperativos revolucionários – entendidos que fossem como anti-capitalistas sem medo do chavão – mas num universo das organizações de desenvolvimento local e de pessoas “para quem a Finança Ética e Solidária é um imperativo para uma nova relação com a economia, com o desenvolvimento sustentável, com as organizações e com os seus agentes, bem como com os territórios onde se inserem e desenvolvem a sua atividade”. O momento dita-lhes a necessidade de “um outro olhar e uma nova consciência sobre a democracia, a transparência, a responsabilização social, e o empoderamento dos cidadãos e cidadãs, das instituições e das comunidades”. Nesse sentido os projectos que irão ser apresentados afirmam apontar à “descentralização e democratização do poder económico, bem como para o empoderamento das economias locais”, propondo uns ao sistema financeiro actual meras alterações “no sentido de maior proteção das pessoas”, outros fortalecendo a via cooperativa da Economia Social e solidária dos territórios. Outros quiçá indo mais longe “conscientes de que o consumo é muitas vezes legitimador das relações económicas e comerciais desiguais e do sistema financeiro vigente, procuram construir relações comerciais mais justas e solidárias, dando um outro sentido ao investimento produtivo e ao consumo”.

As sessões sobre “Banca Social: a História” ou “Banca Social: a Inovação” contarão com os protagonistas do “Charity Bank”, o único banco sem fins lucrativos do Reino Unido; da E-Banka, banco online alternativo croata; da espanhola Red Estatal de Economia Alternativa y Solidaria e da Banca Ética FIARE, e ainda da realizadora do documentário “Palmas”, que virá contar na primeira pessoa a história do Banco Comunitário Palmas Brasil), entre outros. Destacaríamos a tarde de Sábado e o painel “Novos Imaginários Económicos: as Moedas Sociais”, onde a partir dos mercados de trocas para crianças ou da experiência da portuense Ecosol, falar-se-á da relação entre mercados de trocas, moedas sociais e desenvolvimento territorial. O programa completo e inscrições podem ser vistos em financaseticas.pt.

rdaEm Lisboa, na concorrida Cantina Cooperativa do espaço RDA 69 a discussão aberta sobre Mutualismos, conduzida por Diogo Duarte e António Manuel Neves Policarpo, partirá da “primeira e crua definição” do mutualismo enquanto “a organização de pessoas em torno do ideal da ajuda mútua, com o fim de resolver conjuntamente possíveis imprevistos e infortúnios individuais e familiares, através de meios financeiros
e assistenciais que de forma individual não seriam alcançados”. A partir do conceito e da prática histórica em Portugal das Associações de Socorros Mútuos, e do exemplo concreto dos fundos mutualistas do Arsenal do Alfeite, é lançado o mote de “pensar no mutualismo e em possíveis forma de o concretizar no futuro”.

Em 2014 o artigo no Jornal MAPA “Desparasitar a economia: as moedas alternativas” chamava já a atenção das várias experiências de utilização  de moedas alternativas e outras formas de organizar localmente o funcionamento da economia, de acordo com os interesses das comunidades. Anotava o autor Júlio Silvestre como “a adopção de formas alternativas de economia tem sido também desenvolvida pelo “movimento” pelo Decrescimento”, um movimento heterogéneo que “integra diferentes estratégias e prioridades na procura de alternativas à sociedade industrial. As soluções que propõe passam pela agroecologia, pelo fortalecimento das economias locais e pela gestão colectiva de recursos, de modo a reduzir a escala de produção e consumo, gerando um entorno ecológico sustentável”.

Nesse sentido é útil entender, como referia o artigo, a necessidade de “ir além da crítica ao sistema monetário e analisar os agentes e factores que se manifestam noutras áreas, como a privatização de recursos naturais ou o papel do Estado no favorecimento de economias de escala”. Assim como a importância – que os eventos de Faro e Lisboa subentendem – de que “gerir a economia a partir de associações voluntárias de carácter local e comunitário, a par da descentralização e variedade de modelos económicos que primam a autonomia, é certamente um desafio. Será também uma inversão de pensamento, face à expansão totalitária do capitalismo corporativo e financeiro ou a outras alternativas de planeamento centralizado delegadas nas funções do Estado. Reapropriar a economia e os seus instrumentos a partir das bases, favorecendo a escala humana e a reciprocidade, conflui com outras formas de resistência aos poderes estabelecidos”.

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Filipe Nunes

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