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Devido a Baixa Médica o Controlo Policial Automático no Bairro Alto Está Desactivado E Arranca Quando Houver Alta. Confuso? Então leia...

Devido a Baixa Médica o Controlo Policial Automático no Bairro Alto Está Desactivado E Arranca Quando Houver Alta. Confuso? Então leia…


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No último dia de Janeiro deste ano um semanário da indústria da formação de massas revela, mais como quem toca o alarme, que, «o primeiro sistema de videovigilância da capital ainda não entrou em funcionamento, apesar de as 27 câmaras estarem instaladas desde Junho de 2013 em várias ruas do Bairro Alto» 1. O semanário também transmite a posição do presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto, Luís Paisana. Este, talvez inconsciente, não enxerga outra solução para os problemas (inerentes à realidade de um grande centro industrial de divertimento em que o Bairro Alto, particularmente à noite, se transforma), a não ser a imposição da videovigilância, isto é, do controlo policial automático (c.p.a.). É normal, se existe utiliza-se. É para o Bem. Sempre é a pensar no Bem que se fazem disparates e foi sempre em seu nome que se cometeram as maiores atrocidades. O sr. Paisana não tem dúvidas e declara não compreender a demora no funcionamento do c.p.a. e que «é uma vergonha. Este sistema foi aprovado em 2009 e a Câmara investiu 300 mil euros» 2

Investem o que for preciso para vigiar o território e os seus frequentadores até ao cabelo! Polícias formados e certificados «vão operar o sistema» desde as instalações da PSP3. É a partir deste posto de controlo e por via das 27 câmaras instaladas nas ruas do Bairro Alto que a caça é empreendida. Detectam e seguem o comportamento humano através dos fluxos de vídeo. Permitem o reconhecimento de pessoas. Se o sistema for inteligente, como um ou dois polícias diante dos ecrãs não podem ver tudo ao mesmo tempo, a câmara que detectar anormalidades pode alertar a «segurança».

Enfim, à entrada do Bairro Alto todos são avisados que se encontram numa «área vigiada» (não concordam, fiquem sossegados em casa!), não corram, evitem ajuntamentos ruidosos, não mexam demasiadamente os braços, as pernas e as cabeças, mantenham o rosto descoberto para melhor permitir a vossa identificação, atenção com o que enrolam para fumar, não fiquem nas ruas após o fecho do centro, portem-se bem e a segurança de todos está preservada. Obrigado.

Já agora, aproveito para agradecer, seja lá como for, a baixa médica do engenheiro, funcionário de uma empresa contratada pela Câmara Municipal de Lisboa, encarregue de instalar e configurar o software. Segundo o referido semanário é essa a razão da desactivação do controlo policial automático no Bairro Alto. Ah!, a ser verdade a informação, senhor engenheiro, continue de baixa por mais algum tempo. O tempo suficiente para que a licença concedida (ao que parece de seis meses) pela Comissão Nacional de Protecção de Dados expire. Aí, sem nova autorização, as câmaras não podem ser ligadas. Entretanto, o mais certo é o sr. engenheiro obter a alta médica. Em todo o caso, fico a torcer, desculpe lá qualquer coisa, para que continue só mais um tempinho doente, mesmo que não o esteja ou, ainda melhor, que faça objecção de consciência (o sr. engenheiro, como qualquer outro técnico, pode impedir decisões políticas dependentes do saber técnico). As «áreas vigiadas» tornam as cidades em campos concentracionários e abrem o caminho ao tecnofascismo.

 

 

Notes:

  1. In semanário Sol.
  2. Idem.

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  1. temática interessante mas muito opinativo. a noticia fala por si


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