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Aceleração

Aceleração


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«Não temos mais tempo,
simultaneamente ganhamos sempre mais»
Hartmut Rosa, Aceleração

Para o sociólogo Hartmut Rosa a aceleração tornou-se a nova face da nossa alienação. No seu livro consagrado à crítica social do nosso tempo, Aceleração, define três categorias de aceleração: a aceleração técnica, a aceleração social e a aceleração do ritmo de vida. A primeira, a mais evidente, explica que em cem anos a velocidade da comunicação aumentou 107%, a velocidade dos transportes pessoais 102% e a do tratamento da informação de 1010%. A segunda diz respeito à «transformação crescente dos modos de associação social, das formas de prática e da substância do saber (do saber prático)» (Aceleração e Alienação). A aceleração do ritmo de vida pode ser definido como «o aumento do número de episódios de acção ou de experiências por unidade de tempo, o mesmo é dizer que ela é consequência do desejo ou da necessidade sentida de fazer mais coisas em menos tempo». Os processos de vida aceleram-se: comer, dormir, comunicar com os próximos, etc., ensaiamos fazer muito mais coisas num determinado tempo. Por exemplo, enviar um email é muito mais rápido do que escrever uma carta, mas a massa de emails a gerir é largamente superior à do correio. Quanto mais os meios de comunicação são diversos (SMS, redes sociais, etc.), mais o homem conectado passa tempo a comunicar em todas as direcções. A cada inovação técnica encontramos o mesmo fenómeno: quanto mais os transportes andam depressa, mais longe vão os passageiros.

Hartmut Rosa defende que a aceleração do ritmo de vida é uma resposta ao problema da finitude e da morte. Reduzindo todos os tempos mortos, os momentos de pausa, acelerando aquilo que fazemos, tentamos aumentar o número de experiências vividas para ter a ilusão de aumentar a durabilidade da nossa vida. E, como o mundo algébrico oferece um número crescente de opções disponíveis – posso comunicar com quem quiser em todo o lado, fazer os meus próprios vídeos, animar o meu blogue, partilhar a minha música, ver centenas de canais, milhões de sites, etc. -, «a proporção de opções realizadas e de experiências vividas em relação àquelas a que faltámos não aumentam, mas, diminuem sem parar». Daí a corrida desenfreada contra o tempo, a qual está na origem da frustração de não conseguir fazer tudo o que se quer e da insatisfação de fazer mal o que fazemos. «Assim – explica Rosa – os nossos poderes potenciais, as opções a que temos acesso aumentam sem parar, enquanto que as nossas capacidades concretas de “realização” diminuem progressivamente.»

Se bem que a aceleração técnica não implique realmente um aumento do tempo livre, a maior parte dos indivíduos continuam a estar convencidos de que as novas tecnologias vão dar-lhe esse aumento, mesmo que façam sistematicamente a experiência do contrário e que, no seu ritmo de vida, sofram de aceleração considerável. Para tentar ganhar tempo, continuam a lançar-se sobre o último produto electrónico que facilite o seu quotidiano e revolucione a sua vida. Quando existe uma tal dicotomia entre um ponto de vista e o vivido é porque entrámos no campo da crença.

Hartmut Rosa, nascido em 1965, é um sociólogo e filósofo alemão cuja obra é imprescindível editar em Portugal.

Social_Acceleration

Social Accelaration, A New Theory of Modernity
Hartmut Rosa
Columbia University Press, 2015
512 págs.

Texto de J.T.


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