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Entrevista a Samuel Infante, do Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco

Entrevista a Samuel Infante, do Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco


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No final de 2017 falamos com Samuel Infante, o responsável pelo Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco, de onde é natural. Tem sido a voz na defesa do Tejo pela Quercus, associação a que se deve a criação do Parque Natural do Tejo Internacional.

A defesa do Tejo parece ter ultrapassado o embate clássico entre ecologistas e grupos económicos. A que se deve isso?

A sociedade portuguesa está felizmente mais atenta as questões ambientais… nós temos sentido isso anos últimos 30 anos. Na questão  do rio Tejo muitos agentes económicos estão do lado da defesa do rio, pois a sua actividade depende directamente da manutenção da sua qualidade, por exemplo as empresas de animação turística, os pescadores, unidades hoteleiras e de restauração, entre outros que estão a ser afectados negativamente por esta degradação do Tejo.

O Tejo Internacional, reserva UNESCO da biosfera, foi uma aposta pioneira da Quercus desde 1987. O que significa hoje?

O Tejo Internacional, apesar das barragens, dos eucaliptos, e de outras ameaças continua a ser um local de grande riqueza natural destacando-se a nível nacional e internacional. Este território alberga ainda um grande potencial catalisador para uma mudança que é necessária na ocupação que fazemos do território e de estilos de vida mais sustentáveis. Muitas das  espécies que estavam extintas regressaram como o Abutre-preto, a Águia-imperial ibérica ou o corço. Alguns habitats estão a recuperar da pressão e destruição que forma alvo durante séculos. A Quercus continua a consolidar o trabalho na área em prol da conservação e do incentivo de  boas práticas de desenvolvimento, gestão florestal, ecoturismo, agricultura biológica, educação e formação ambiental, etc.. Ainda recentemente através de uma campanha de crowdfunding adquirimos mais terrenos para a conservação da natureza.

A Nova Cultura da Água, assume uma postura decrescentista e uma visão ecossistémica, claramente crítica do progresso formulado pelo capitalismo. Mesmo sem recorrer a um discurso  “radical”, há a noção radical (de ir à raiz) nesse pensamento. Comparando o âmbito abrangente da Rede do Tejo, tal parece ser expresso apenas do lado espanhol. 

Sem dúvida que os portugueses não estão tão alerta e proativos como a sociedade espanhola. Julgo que em parte porque  “ainda” temos alguma disponibilidade de água em Portugal e consumos menores. Em Espanha a questão da água é uma questão na ordem do dia e na vida política. Perdem-se eleições por causa da política da água… Em parte devido aos lóbis da agricultura intensiva do sul e das necessidades para o turismo… A nova diretiva quadro da água da UE vem mostrar o caminho para a visão ecossistémica, e consequentemente para o bom estado ambiental dos rios e da água, mas o caminho é longo e atravessa-se em problemas muitos complexos como os transvases, energia nuclear, poluição agrícola difusa, poluição industrial…

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Filipe Nunes

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