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“Estivadores de Sines: entre o medo e a luta”: Direito de resposta.


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Recebemos por parte do Sindicato XXI o seguinte texto em direito de resposta ao artigo de Filipe Nunes publicado no dia 24 de Maio de 2016 intitulado “Estivadores de Sines: entre o medo e a luta”, tendo sido entrevistado Filipe Gonçalves. O mesmo se publica na íntegra e no cumprimento do direito de resposta, reservando aos leitores a interpretação do mesmo. Merece apenas a nossa chamada de atenção que os valores indicados no exercício comparativo efectuado não são totalmente explícitos, uma vez que, por exemplo, os valores de Sines incluem já os acréscimos de subsídios de turno sobre o salário base mínimo ao passo que os valores de Lisboa são apenas a base a que se acrescenta as horas extraordinárias. No que respeita ao âmbito da solidariedade entre portos, eixo central das palavras de Filipe Gonçalves que acompanha a denúncia da precariedade em Sines, a imagem de um conjunto de estivadores de Sines na manifestação de 16 de Junho em Lisboa fala por si.

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«A direção do Sindicato XXI tendo tomado conhecimento das afirmações efectuados pelo colega estivador Filipe Gonçalves no Jornal Mapa, vem exercer o seu direito de resposta, o que faz nos seguintes termos:

O Sindicato XXI representa cerca de 300 ou mais associados, trabalhadores do Terminal XXI. Fá-lo com orgulho, representando vários sectores da empresa e por todos luta sem distinção, não só pelos seus associados mas por todos os trabalhadores do terminal, sem excepção, incluindo portanto o nosso companheiro estivador, e luta também pelos companheiros quer sejam oriundos da cidade ou do campo, pelos mais instruídos como pelos menos instruídos.

O Sindicato XXI considera por isso as palavras do colega expressas na entrevista, como injustas, ofensivas e mentirosas, descontextualizando casos e dando um imagem deste Sindicato, dos nossos colegas e dos trabalhadores que o compõem, que não corresponde à verdade!

O Sindicato XXI foi criado nas circunstâncias por todos conhecidas, mas tem evoluído e melhorado bastante, por precisamente se entender que os trabalhadores do Terminal de Sines necessitam de um Sindicato local, que efectivamente apoie todos os seus associados e efectivamente represente todos os seus interesses.

E assim tem feito nos últimos anos, lutando em 2012 precisamente lado a lado com o SETC de Lisboa, contra a nova legislação do trabalho portuário, promovendo formas de luta quando tal se afigura necessário (greve às horas suplementares por exemplo), em defesa não só dos nossos associados mas também de todos os trabalhadores portuários, quer a nível nacional, quer a nível do terminal, quer sejam estivadores ou de qualquer outra profissão.

Mas também negociando e concretizando acordos que se traduzem efetivamente em melhores condições para cada setor e categoria, o que irá continuar a ser feito, por mais que isso custe a quem não pretende esses acordos!

Outros acordos irão ser concluídos no curto prazo, para outras categorias.

Estamos certos, é um caminho longo e difícil, feito de recuos e avanços mas o Sindicato XXI vai percorre-lo, contra tudo e contra todos, e no final iremos vencer, não contra ninguém mas pelos nossos trabalhadores!

O trabalho portuário não é um mundo à parte, e nessa medida sofre de pressões dos baixos salários e da atual realidade económica, com muitos desempregados necessitando de trabalho.

Quem não quer ver esta realidade é mais cego que o cego!! Por esse motivo são necessários esses acordos para que melhorem os salários e as condições de trabalho no terminal XXI, pela via do diálogo e negociação permanente efetiva e plena.

O facto falsamente alegado da precariedade ter a sua bandeira no Porto de Sines é pois destituído de fundamento, e ofensivo, não o sendo mais aqui do que em Lisboa ou Leixões, como os números facilmente o demonstram.

Se quisermos proceder a uma análise rigorosa do que aqui se passa, não há trabalhadores contratados ao dia, por horas, por telefone, etc. Ao contrário do que pelos vistos acontece com alguns companheiros nossos em Lisboa e Setúbal. Qual pois das precarizações se refere a entrevista?

Quanto aos contratados a termo, em Lisboa, que só agora pelos vistos irão para o quadro, volvidos que são vários anos (alguns até mais de dez anos). Em Sines, no final de dois anos integram os quadros da empresa. A que precarização se refere pois a entrevista?

O ruido dos estivadores deve ouvir-se e certamente ouvir-se-á quando os nossos associados o entenderem e não quando outros os pretendam!! O ruído a mais, sem resultados, só por ruído, não faz sentido!

As afirmações do nosso colega não tem por isso qualquer credibilidade, ou sequer qualquer rigor, ou ainda representatividade para proferir as afirmações que faz, e parece antes e sim uma correia de transmissão de um pensamento que tenta mais uma vez o que não conseguiu, e que é tornar o nosso Sindicato dependente de Lisboa. Não cedemos nessa altura e não cederemos agora!!

Mas juntos pretendemos caminhar na defesa intransigente dos nossos associados. Pretendemos faze-lo de forma independente mas juntos. O nosso companheiro pretende faze-lo separado, e em desunião como claramente resulta da entrevista dada.

Por outro lado, a posição do Sindicato XXI tem sido clara na luta para evitar a precaridade e a melhoria das condições salariais, pelo que não se reveem nas palavras do nosso companheiro estivador.

Assim como não se revem nas suas palavras quando afirma que o Sindicato foi criado para defender os interesses da empresa, ou quando comparando, muito mal, duas realidades profundamente distintas, a de Sines com a de Lisboa, e muito menos com a ofensa gratuita que é feita quando se refere aos nossos companheiros da “aldeia”. Não nos revemos nestas palavras, que a todos e principalmente quem as proferiu deve envergonhar!

O Sindicato de Lisboa, ao contrário do que parece resultar das palavras do nosso colega, não representa todos os trabalhadores portuários do país. Nem todos os estivadores. A divisão entre amarelos e os outros, apenas envergonha quem as profere.

Aliás, é sintomático que o acordo agora alcançado pelo SETC Lisboa e que desde já muito nos congratulamos pelos nossos companheiros, na sua globalidade não é mais favorável aos trabalhadores do que o acordo que celebrámos!

Bem pelo contrário! Retirando o nível 2 e ano 2 que inicia com €662,50 em Sines, e em Lisboa com €850,00 (fruto do acordo agora alcançado) no ano 3 passa para €980,00 em Sines e para €850,00 em Lisboa! Isto apenas como exemplo, já para não referir o acordo efetuado em Lisboa será por 29 anos e o nosso acordo para 14 anos.

Outro exemplo é que no ano 06 em Sines, o trabalhador auferirá €1.146,25 e em Lisboa o mesmo auferirá €1.046,00. No ano 10 em Sines auferirá 1495 e em Lisboa €1.220,00. Podiamos continuar com outros exemplos mas achamos que estes bastam.

A realidade ultrapassa em muito a ficção preconizada pelo nosso companheiro.

Relativamente à diferença existente entre os dois sindicatos e a defesa dos nossos associados, estamos pois conversados.

Por último, uma referência à falta de coragem dos trabalhadores do terminal XXI e os nossos associados em particular. Não existe falta de coragem em Sines como já o provamos no passado e estamos crentes, se tal for necessário, será novamente demonstrada no futuro. Desengane-se pois quem tem pensa!!

Contudo, pensamos que o caminho se faz juntos e não separados, evitando crispações, mas aceitando as dificuldades e as diferenças entre irmãos de armas, e como tal sempre assim tentaremos proceder no futuro, em união de esforços, para ajudar os nossos companheiros e irmãos a melhorar as suas vidas. Não contem pois connosco para a desunião da nossa classe.

A direcção do Sindicato XXI,
[assinaturas rubricadas de 4 membros; Recebido por e-mail 27 de Junho de 2016] »

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