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Biblioteca do Marquês: antes privado que auto-organizado

Biblioteca do Marquês: antes privado que auto-organizado


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bibioteca._marquesA 6 de Janeiro de 1948, foi inaugurada, em pleno Jardim do Marquês, no Porto, uma das primeiras bibliotecas populares de bairro da cidade e do país, a Biblioteca Infantil de Pedro Ivo. Certo dia, no início do século, fechou portas. E assim se manteve durante mais de 10 anos.

Contra este abandono, a Biblioteca foi ocupada pela primeira vez em Julho de 2008. Uma ocupação de curta duração, não com o intuito de lá ficar, mas de a abrir, mostrar algumas das potencialidades que poderia ter e deixá-la a quem dela precisasse, conforme se explicava em folheto distribuído na altura 1.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA 16 de Junho de 2012, um grupo de pessoas decidiu ocupá-la novamente, desta vez com um projecto de longo prazo. O de a fazer voltar à sua função original de biblioteca popular e pólo dinamizador do jardim. Nascia a Biblioteca Popular do Marquês 2.

Durou 3 dias. Ao fim dos quais, a polícia municipal e uma equipa da Domus Social retiraram tudo o que lá estava dentro e a emparedaram. Abandonada durante mais de uma década, a servir de “urinol público e reserva ecológica de baratas”, como se dizia no blog da Biblioteca 3, este espaço só teve atenção camarária quando foi ocupado por pessoas que, livre e gratuitamente, o queriam pôr ao serviço da zona. Dali para a frente, sob o nome de concessão, a única ideia passou a ser a privatização.

O concurso público para o efeito correu mal ao executivo. Venceu-o uma pessoa cujo ódio a Rui Rio tinha vindo a ganhar notoriedade mediática. No entanto, entre trapalhadas próprias, manobras delatórias da Câmara e burocracias várias, a concessão acabou por não lhe ser dada.

Neste momento, é voz corrente na praça que a biblioteca foi concessionada a um empresário da restauração e da diversão nocturna. Ouve-se que para fazer um café. Numa praça onde há, pelo menos, meia dezena. Um espaço comum transformado num negócio privado, ainda por cima um negócio que parece não fazer falta à praça, não é o que se pode chamar boa gestão. A não ser que, em democracia, boa gestão seja impedir que as próprias pessoas tomem os espaços que também são seus e organizem as coisas de que sentem necessidade.

Há cerca de uma semana, foi desemparedada. E tem-se mantido com o aspecto que teve durante o tempo de abandono e com a mesma ausência de utilidade. No entanto, o facto de terem desaparecido os blocos de cimento deverá querer dizer que alguma definição se aproxima. A ver.

 

 

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Teófilo Fagundes

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