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Os paparazzi e a taxidermia ou Manuelito, já te tenho dito que não é bonito andares-me a enganar

Os paparazzi e a taxidermia ou Manuelito, já te tenho dito que não é bonito andares-me a enganar


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carrilho
 

 

 

 

 

Mas como não sentir um certo gostinho ao assistir à canibalização desta gentalha, na escandalosa percepção do miserabilismo que todos conhecem de ginjeira mas que raros enxergam nestes figurões que se fazem nobilíssimos tratantes, pé ante pé, numa majestade periclitante pelas estrias da Cultura (com letra grande, pois claro!).

Manuel Maria Carrilho, ex ministro da dita, todo “aqui me tens”, a desfiar as tricas e fulanices da sua vidinha conjugal, entregue de corpo e ruínas à “abutrinagem” da comunicação social. Que beleza! A minuscular, a implorar a redenção pública enquanto, publicamente, se desossa num striptease repugnante. Nem mais, só as alforrecas é que morrem de pé.

E é vê-lo, titubeante, a espremer os seus olhos de morto e a dizer: Por amor de deus, eu sou um homem de afectos! Ai, coisa mai linda, inexorável na sua tacanhez, tão bem adestrado pelas tiranias do sensacionalismo. The show must go on, e daí adiante vergando-se à cabotinagem pechisbeque, ao sucedâneo de si, desmandibulado na representação vesga e mui reaça do fiasco real. Como uma luva ao contrário, se me entendem…

Acabar de vez com a lógica comezinha do parcialmente público. Ou é ou não é, e se é, deve sê-lo radicalmente e existir apenas na medida da sua reprodutibilidade, na liquidificação absoluta do seu carácter (imaginando-se que alguma vez existiu um), na massa.

Ser condição sine qua non a todo e qualquer cargo de poder uma ininterrupta vandalização dos eu ́s que os arrogam. Roubá-los definitivamente da sua ausência, da sua aptidão de ser. Serão como máquinas cénicas, e cada gesto, cada palavra, cada silêncio esgotar-se-á pela iteração. Que impludam abafados pela sua imagem mil vezes autopsiada.

Expropriá-los de si até que nos dêem só e meramente vontade de rir senhores, de estalar a rir!

Todos passados a pente fino, certinho direitinho, e depois que se desenrasquem, que nos entretenham com o espectáculo do seu malogro, com as suas mundanidades; apanhados a fumar crack nas esquinas de Toronto, a encomendarem prostitutas tailandesas para o jantar de negócios com o ministro da economia iraniano, a chorarem que nem umas madalenas, a definharem com disenteria nas clínicas privadas da Suécia, a incendiarem os seus 27 Porshe’s, a ordenarem para que se incendeiem os seus 27 Porshe ́s, etc, etc…

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